Em 2025, a FBAUP formalizou a doação do arquivo pessoal de Elvira Leite (Porto, 1936), ampliando um primeiro conjunto documental já incorporado ao seu acervo em 2016. O arquivo reúne mais de cinco mil itens, entre materiais físicos e digitais, que documentam mais de seis décadas de atividade de Elvira Leite nos campos da arte e da educação artística, congregando a sua prática como artista, professora, autora, formadora e dinamizadora de projetos culturais. Integram-no fotografias, slides, publicações, manuscritos, livros-jogos, documentos de trabalho, registos audiovisuais e outras materialidades que registam projetos desenvolvidos em contextos de educação formal e não formal, bem como as redes de colaboração que marcaram o seu percurso.
A doação compreende ainda um acervo documental e fotográfico relativo ao projeto pedagógico desenvolvido por Elvira Leite em Pena Ventosa, no Bairro da Sé, Porto, em 1977, uma experiência de educação artística participativa com a comunidade local. Este núcleo integra vinte e oito provas fotográficas, trezentos diapositivos e duzentos e quarenta e oito negativos das atividades desenvolvidas no âmbito do projeto. Projeto que já tinha sido abordado na exposição Quem te ensinou? – Ninguém. Pena Ventosa 1977, apresentada no Pavilhão de Exposições da FBAUP (2016).
Organizado e sistematizado por Amanda Midori no âmbito do seu projeto de investigação do Doutoramento em Educação Artística, desenvolvido na FBAUP sob orientação de Cat Martins e coorientação de Rita Bredariolli, esse conjunto constitui uma fonte de reconhecido interesse para o estudo da história da educação artística em Portugal e da trajetória de uma das suas protagonistas.
A disponibilização do arquivo de Elvira Leite será assegurada através do acesso à documentação nos seus suportes originais e, de forma progressiva, em formato digital, promovendo simultaneamente a sua preservação e uma maior democratização do acesso. Esta estratégia permitirá alargar significativamente o universo de utilizadores, que inclui estudantes, docentes, investigadores e o público em geral. A descrição e gestão arquivística do fundo serão asseguradas através do Archeevo, plataforma de referência para a descrição e gestão de documentação de arquivo. Paralelamente, a informação poderá ser recuperada através do sistema integrado de pesquisa das bibliotecas da Universidade do Porto, o discovery.up.pt, possibilitando a pesquisa e o acesso, a partir de um único ponto de entrada, a toda a documentação física e digital relacionada com a artista, independentemente da sua tipologia documental, proveniência ou contexto de produção.
Complementarmente, será ainda criado um espaço dedicado ao arquivo na página do Serviço de Documentação e Informação (SDI) da FBAUP, destinado à sua divulgação e valorização. Este espaço funcionará como uma plataforma de mediação e disseminação de conteúdos, agregando a informação disponível nos sistemas de origem sem a duplicar, garantindo a sua atualização, consistência e integridade. Deste modo, a FBAUP reforça o seu compromisso com a preservação, o estudo e a divulgação da obra e do legado de Elvira Leite, colocando este relevante património documental ao serviço da comunidade académica e do público em geral.

Biografia | Elvira Leite
Elvira Leite (Porto, 1936) concluiu o Curso Complementar de Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, em 1964. Nos primeiros anos da sua carreira, afirmou-se no panorama artístico nacional, integrando a representação portuguesa na VIII Bienal de São Paulo (1965) e recebendo o Prémio Nacional de Pintura, em 1968.
Paralelamente à atividade artística, iniciou a carreira docente no ensino básico e secundário da escola pública, exercida maioritariamente na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, onde permaneceu até 2000. Ainda na década de 1970, optou por centrar a sua atividade no campo da educação, mantendo junto com a função docente os projetos artístico-educativos implementados em ateliers, museus e comunidades em situação de vulnerabilidade social.
No âmbito da educação, concebeu metodologias, abordagens e estratégias centradas no trabalho de grupo, na resolução de problemas do quotidiano e na lógica de projeto, além de conceber jogos, livros-jogos e equipamentos para a educação visual. Colaborou igualmente em processos de reestruturação educativa, em Portugal e no estrangeiro, participando na formação de professores, na revisão curricular e atuando como consultora da UNESCO. A partir da década de 1980, publicou obras sobre trabalho de projeto, criatividade e pedagogia.
Desde os anos 1990, exerceu consultoria educativa em instituições culturais do Porto, destacando-se a sua colaboração com o Serviço Educativo da Fundação de Serralves. Em 2004, foi condecorada em âmbito nacional como Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2026, recebeu a Medalha de Mérito da Câmara Municipal do Porto.
Em 2016, o seu projeto de atividades artísticas com crianças e jovens desenvolvido no Largo da Pena Ventosa (1976–1977) ganhou renovada projeção através da exposição Quem te ensinou? — Ninguém. Pena Ventosa, 1977, apresentada no Porto e posteriormente em Paris, Nova Iorque, Barcelona e Funchal. Em 2025, a Galeria Municipal do Porto dedicou-lhe a exposição Aprender a ensinar, ensinar a aprender com Elvira Leite, centrada na sua produção pictórica e educativa. (Amanda Midori, e outros)